Leituras de Teatro Gay Anglo-Saxónico
18 e 25 de Novembro e 2 e 9 de Dezembro de 2006
(Sala Um do Teatro da Comuna às 18.00h)
Produção: Grupo Cassefaz • Tradução e organização: Luís Assis • Coordenação dos comentadores: António Fernando Cascais • Comentadores: Ana Luísa Amaral, António Fernando Cascais, João Ferreira e Francesca Rayner • Excertos lidos por Cláudia Andrade, Luís Assis, Maria Camões e Paulo Diegues • Leitores convidados: Filipe Salema, Mário Rodrigues, Miguel Abreu, Sérgio Calvinho e Tiago Tempera
Partilhar uma herança
São várias e talvez confusas as razões que me levaram a querer apresentar este ciclo de Leituras. Por um lado, a resistência a um teatro dito gay (ou para o efeito, a qualquer produção cultural com esse epíteto) quer dentro da comunidade teatral, que dentro da própria comunidade gay, levou-me a crer que seria pertinente por esta altura fazer uma “breve revisão da matéria dada”. O trabalho que iniciei com a Sex Shop Trilogy em 2005 (e que só terminará em 2008) não é uma novidade a nível mundial. E, no entanto, tem sido frequente o questionamento da pertinência de um trabalho assim. Diga-se de passagem que também esse questionamento não é novo e já foi feito noutros países e das mais diversas formas. Por isso mesmo, achei que fazia igualmente sentido acompanhar estas Leituras de breves reflexões ou comentários. Convidei o António Fernando Cascais a colaborar comigo e, em conjunto, resolvemos dirigir convites a mais três pessoas que, de uma forma ou outra, se encontrassem ligadas à reflexão sobre estas questões. Assim, em cada dia, há um comentador diferente a partilhar connosco o seu discurso sobre as produções culturais gay. A selecção de textos e autores para estas Leituras é subjectiva e bastante pessoal. São os autores, textos, cenas específicas que me marcaram ou influenciaram de alguma maneira. Não tenho qualquer pudor em assumir esta herança. Além disso, goste-se ou não, são também as referências icónicas deste tipo de teatro, a nível mundial. Em Portugal, há sempre uma necessidade de menosprezo pelas referências externas, o que é esquisito num país onde as internas, e já agora minimamente credíveis, são tão raras. Será preciso dizer mais? Em último lugar, não posso deixar de agradecer a todos os que, de forma voluntariosa e a título gratuito, aceitaram participar nestas Leituras (aos comentadores, aos leitores convidados e, muito especialmente, ao António Fernando Cascais que aceitou este modesto mas importante trabalho de coordenação). Sem eles, estas Leituras não poderiam ser apresentadas da forma que idealizei.
Luís Assis